quarta-feira, 16 de março de 2011

O segredo

São tantas as perguntas, quase não sei por onde começar. Ops! Por onde começar? Fato, estamos cercados de questionamentos o tempo todo. No entanto o que há de mais perigoso está nas sombrias respostas, nunca saciados, e essa é a graça de ser um ser e não uma coisa.
Passamos, ou pelo menos eu passo, quase toda existência entre a ansiedade e a frustração. Parece estranho, mas tentarei explicar. Encontro-me, como todos nós, diante de duas opções, dois caminhos ou mais. Nosso cotidiano está repleto de momentos em que precisamos tomar decisões, sejam elas simples ou não. Pois bem, a ansiedade está presente nos instantes que antecedem a deliberação. Porém, uma vez este caminho sendo seguido, a frustração surge acompanhada da curiosidade: E se...? Parece nunca haver satisfação nas escolhas, não sei se é um mal comum, mas é algo que me intriga bastante.
Sinto-me dentro de uma prisão que foi criada por mim, e nem mesmo sei que a vigia. Estou acorrentado aos pensamentos que insistem em vir. Perco-me nestes devaneios tolos buscando solução para o irremediável, mas ainda encontro, numa garrafa de whisky, a anestesia perfeita para estes dias de luta.
(Por: Marcelo Araujo)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Go away!

Olho na direção dos sonhos, mas não penso alcançar. Sou tomado pelo repouso das crenças vazias de um pé no chão, da realidade imobilista dos séculos que me antecederam. Sinto-me preso a um passado que não vivi, e não construo um presente empolgante devaneando como um poeta bêbado que canta a morte dos fantasmas de outrora, sinto medo.
Quero explodir em êxtases diários e constantes, sentir a vida tal qual a imagino nas horas em que deliro perdido entre o sono e o despertar. Espero ansiosamente pela liberdade de viver os sonhos sem censura, criar a realidade louca de ser (e simplesmente ser).
(Por: Marcelo Araujo)

sábado, 6 de novembro de 2010

Password

Os passos que acompanham,
Que revelam...
Que nos levam.
Encerra-se o primeiro
Descobre-se o próximo;
Segundo, terceiro...
Infinitos rumos.
Rumores de um fundo, um fim
Ou mais um começo.
Incessante caminhar sem direção,
Aborto do direito de ir e vir.
(Por: Marcelo Araujo)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Madrugada

Agora é noite e a cidade dorme, quase toda cidade dorme. Aqueles que amam de fato a vida estão acordados agora. Estamos nos bares, pelas ruas, esquinas, praças... Estamos vivos. Somos os boêmios que, bêbados, cantam e recitam suas poesias. Somos as mulheres que jamais se contentam com a rotina ridícula que o dia nos proporciona.
Queremos o silêncio noturno que afaga e acolhe aqueles que sabem amar e odiar com a mesma intensidade sem medo do que todos os outros vão pensar. Somos as verdades sem máscaras que vagam tranquilas pelas sombras da madrugada. Estamos nos pesadelos de vocês fieis receosos que temem os prazeres mais ocultos de suas pobres vidas. Somos todos os desejos profundos que explicitamos e, assim, nos fazemos gozar sem parar.
Todos os sonhos estão em nós, está na escuridão, está no íntimo de cada um que saí além do pôr do sol para seguir o brilho da lua cheia e a sombra desta quando nova. É a vida manchada de negro pela noite que torna o prazer cada vez maior e a excitação da carne um fato. Quero a noite eterna para não mais dormir, o calor das sensíveis mulheres noturnas e o segredo que está em não haver mistério.
(Por: Marcelo Araujo)

Fim do dia

O fim do dia se aproxima e penso que nada mudou, parece-me que nada muda.
Tentei respirar outros ares, conhecer outros lugares, transformar tudo, mas não deu! Passei por ruas diferentes, bares desconhecidos, vielas que pareciam não mais ter fim. E sempre a sensação de não deslocar-me um milímetro sequer. São locais frios, com as mesmas cores estanques e de vida fugaz.
Conheci os mais diversos tipos de pessoas, todas iguais. Dos mais puritanos aos mais pervertidos seres que conheci, todos baseiam suas vidas de forma igual, em busca de uma falsa moral de felicidade. São as mesmas angústias e frustrações, os mesmos pecados e virtudes, os mesmos anseios infantis que jamais deveriam ter saido do âmbito onírico para tornar-se planos de vida.
O fim do dia se aproxima e nada mudou, nunca muda, nunca mudará.
(Por: Marcelo Araujo)

2012

Estamos separados:
O mundo e eu,
tudo que restou do tempo.
Fim da esperança,
intervalo vazio.
Somos criaturas sem forma
Pura essência,
sem sentido; sem razão.
Suposta existência:
Universo
(Por: Marcelo Araujo)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu quero, eu quero, eu quero...

Quero papel em branco para desenhar meus dias
Quero ir aonde for para viver o melhor de mim
Quero ser cada fantasia que criei quando em sonho
Quero sentir cada passo, quero espaço
Quero o êxtase do primeiro beijo, do primeiro gozo
Quero teu fogo
Quero um prato de comida na maior fome
Quero acabar com minha sede de você
Quero ser livre para querer ou não
Quero perder os sentidos e cair
Quero entorpecer-me nas horas tristes
Quero saber de mais nada
Quero esquecer da vida e não temer
Quero não pensar
Quero casar com a falsa verdade da eternidade...
Mesmo que só por um dia.
(Por: Marcelo Araujo)